Diário de Canoas - Região Metropolitana sob domínio do medo

Região Metropolitana sob domínio do medo

Medo. Medo de andar na rua à noite. Medo de esperar o ônibus na parada. Medo dentro do ônibus. Medo no táxi. Medo no trânsito. Medo na rua, mesmo de dia. Medo no comércio. Medo no bairro. Medo nos parques. Medo em todo lugar. Até em casa. Medo. Em grandes doses, o tempo todo - é o sentimento comum aos moradores de sete cidades da Região Metropolitana (Alvorada, Canoas, Esteio, Gravataí, Novo Hamburgo, São Leopoldo e Sapucaia do Sul), de acordo com pesquisa apresentada nesta quartafeira pela Associação dos Oficiais da Brigada Militar (AsofBM), que mediu a sensação de segurança nestas cidades, que apontaram aumento nos índices de criminalidade neste ano. 

Talvez o dado mais impactante da pesquisa seja o de que 55,8% dos 600 entrevistados (334 pessoas) não se sentem seguras sequer em casa. Além disso, nove entre dez pessoas dizem não sentir segurança de dia, nas ruas - e 97% delas à noite. Em Canoas, Gravatai, Novo Hamburgo e São Leopoldo, isso significa que mais de 40% das pessoas deixaram de sair à noite em razão da insegurança. 

ORÇAMENTO 

"O governo do Estado tem uma prática e um discurso que são coerentes, na verdade. Desde que assumiu, em 2015, importou um discurso da Administração de Empresas, de que é possível fazer mais com menos. E temos dito aqui, desde o início do governo, que fazer mais com menos não é possível em termos de segurança pública. Não se faz segurança pública sem orçamento. Por isso, a intenção da pesquisa é propositiva. No ano passado, a pesquisa semelhante levou ao reforço do policiamento na Capital", argumentou o presidente da AsofBM, coronel Marcelo Frota. 

SITUAÇÕES DIFERENTES 

As percepções, como não poderia deixar de ser, mudam de cidade para cidade. Em Gravata(, 96% da população têm a percepção de que a criminalidade aumentou nos últimos três anos. O principal temor de 65,4% dos canoenses é ser assaltado. Já 68% dos hamburguenses já sofreram pessoalmente ou têm algum familiar que sofreu algum tipo de violência. Em São Leopoldo, 66,7% dos moradores foram ou têm familiar vitima de roubo de celular. No cerne de tudo, para os entrevistados, está a administração José Ivo Sartori como responsável pela insegurança nas cidades. Entre cinco possibilidades de avaliação (ótima, boa, regular, ruim e péssima), as duas consideradas claramente positivas somam 4,5% - ou seja, 95,5% avaliam mal a segurança pública na Região Metropolitana. 

Em outro quesito apresentado aos 600 entrevistados, são quatro as principais causas apontadas para a violência nas cidades: tráfico de drogas, desemprego, falta de policiamento e leis que não funcionam. Já quanto às ações necessárias para a melhorar a segurança pública as mais citadas foram mais policiais nas ruas (31,5%) e mudanças na legislação ou mais rigor no Código Penal (18,2%). Falta de efetivo e de investimento na Brigada Militar, demora no atendimento pelo telefone 190 foram os problemas apontados. Apenas 38% do efeito necessário Segundo o coronel Frota, hoje a Brigada Militar trabalha com apenas 38% do efetivo que precisaria ter. 

Todos os anos, oficiais e praças se aposentam e não há reposição para esta defasagem. "O governo do Estado mandou 19 projetos à Assembleia Legislativa. Apoiamos estes projetos que foram mandados, mas não há um projeto que estabeleça frequência de ingresso de efetivo. Sabemos que, em média, 2 mil PMs vão para a reserva por ano, sem substituição", disse. Perguntado sobre a possibilidade de esta proposta se tornar realidade, já que precisaria de um Projeto de Lei para ser aplicada, o coronel não escondeu o ceticismo: "Dificilmente". 

NEM TUDO SÃO TREVAS 

A pesquisa também apontou pontos positivos. Numa média de 0 a 10, o Corpo de Bombeiros é a instituição mais confiava' no universo de entrevistados, com nota 8,2. Na sequência, Brigada Militar (6,1) e Polícia Civil (5,7). Na rabeira, Judiciário (3,7) e governo estadual (3,2) As avaliações positivas da BM devem-se, principalmente, a dois aspectos: estão sempre presentes nas bairros e nas ruas e fazem o que podem "mesmo com as promoções estancadas, salários atrasados e com armamento defasado em relação ao usado por facções criminosas", ressaltou o coronel. A pesquisa Sob encomenda da Associação dos Oficiais da Brigada Militar (AsofBM) ao instituto Segmento Pesquisas, foram ouvidas 600 pessoas em Alvorada (80), Canoas (130), Esteio (45), Gravata( (100), Novo Hamburgo (100), São Leopoldo (100) e Sapucaia do Sul (55). 

Foram entrevistados moradores de ambos os sexos acima de 16 anos, e de todas as faixas de renda entre os dias 29 de setembro e 12 de outubro. "Antes, portanto, dos crimes brutais em Gravata( e Arvorezin ha. Acredito que se a pesquisa englobasse este período de tempo os resultados seriam ainda mais chocantes", disse o coronel Marcelo Frota, presidente da AsofBM. Segundo a Segmento, a amostra garante um grau de confiança de 95% para uma margem de erro de até 4% nos resultados gerais. A pesquisa utilizou dados do censo do IBGE, que informa os pesos de cada segmento envolvidos no conjunto da população.




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