Diário Gaúcho - Inseguros até dentro de casa

Inseguros até dentro de casa

Mais da metade da população da Região Metropolitana de Porto Alegre não se sente segura em suas residências, mostra pesquisa

Nem dentro de casa as pessoas se sentem seguras. Esta foi a principal conclusão de uma pesquisa apresentada ontem pela Associação dos Oficiais da Brigada Militar (AsofBM). Moradores de sete cidades da Região Metropolitana foram ouvidos e, para 55,8% - deles, não há segurança plena no seu domicílio. Além disso, 90,8% afirmaram não se sentirem seguras nas ruas durante o dia, e 97%, à noite.

A pesquisa, encomendada pela AsofBM ao instituto Segmento Pesquisas, ouviu 600 pessoas de Canoas, Alvorada, Gravataí, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Esteio e Sapucaia do Sul, entre 29 de setembro e 12 de outubro. A intenção, de acordo com o presidente da associação, coronel Marcelo Gomes Frota, era medir a sensação de segurança da população na região onde os índices de criminalidade explodiram no ano.

Em 2016, a mesma pesquisa foi feita em -Porto Alegre, e demonstrou índices ainda piores. Para 71,6% das pessoas não havia segurança plena nem dentro de casa. A sensação de que o setor havia se deteriorado em três anos na Capital chegava a 96,8% das opiniões.

— Nossa intenção com a pesquisa é propositiva. Acredito que aquele levantamento do ano passado, concentrado em Porto Alegre, tenha pesado no momento de o governo estadual priorizar o reforço no policiamento na Capital. Foi a demonstração de que, em segurança, não se pode falar em fazer mais com menos — diz o oficial.

Pior índice

Gravataí apresenta a maior sensação de insegurança da população entre os municípios pesquisados. Para 96% das pessoas, a criminalidade local aumentou nos últimos três anos.

Conforme o levantamento de GaúchaZH, desde o começo do ano, 163 pessoas já foram assassinadas no ano no município. O total do ano anterior (117) já foi ultrapassado, com aumento de 39%.

População quer mais policiais

A pesquisa ouviu também a opinião da população sobre medidas para melhorar a segurança pública. E 31,5% dos entrevistados apontaram o reforço no policiamento das ruas como a principal ação.

- Nossa preocupação é com uma política de Estado mais ampla na área da segurança. Hoje a Brigada Militar atua com 62% de defasagem no efetivo - critica o coronel Frota.

Segundo o oficial, a entidade é favorável ao pacote de
19 medidas na área da segurança recentemente enviado pelo governo à Assembleia, mas ele considera insuficiente. A proposta da AsofBM é de que seja estipulado em lei a reposição anual de efetivo na corporação:

- Sabemos que, por ano, em torno de 2 mil PMs deixam o serviço. O governo anunciou um grande concurso para o ano que vem, mas não há garantia de que os aprovados serão chamados. Nossa ideia é que, a cada ano, seja garantido por lei a reposição do número de PMs deslocados para a reserva, mais 10%.

Alguns dados

63,8% já sofreu ou tem algum familiar que sofreu violência

Destes,
80,1% foram roubados/assaltados
5,7% tiveram celular roubado
3,4% tiveram carro roubado

Que ações podem melhorar a segurança pública?
31,5% mais policiais nas ruas
18,2% mudar as leis/ código penal mais rigoroso
5,7% melhores condições de trabalho aos policiais
5,7% admitir mais brigadianos




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