CORREIO DO POVO POLÍTICA P. 4: Mourão nega que governo queira nova Constituição

Vice-presidente disse que posição de líder governista é pessoal e afirmou que Bolsonaro, ‘em nenhum momento’, tocou no assunto.

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou ontem que a posição do governo é contrária à elaboração de uma nova Constituição. O debate sobre uma Assembleia Constituinte foi trazido à tona pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PPPR), para quem a Carta Magna atual deixa o Brasil “ingovernável”. Na terça-feira, Barros anunciou que vai enviar um projeto de decreto legislativo para a realização de um plebiscito sobre a elaboração de uma nova Constituição. Questionado sobre o assunto, Mourão disse que, desde a campanha eleitoral, a sua opinião é a mesma, contrária a uma nova Constituinte. “Já me pronunciei durante a campanha eleitoral.

Não tem mais o que falar porque a posição do governo hoje não é essa.” Na sequência, Mourão afirmou que o presidente Jair Bolsonaro não falou sobre o assunto em “nenhum momento”. “O líder do governo é um parlamentar. Ele tem outras prerrogativas, diferente de quem é, como no meu caso, vice-presidente eleito com o presidente Bolsonaro, que em nenhum momento tocou nesse assunto.” Mourão lembrou, no entanto, que a proposta de Barros é consultar a população sobre a realização de uma nova Constituinte. “Se a população desejar, aí vamos ver como vai ser feito, mas pode tudo ser feito na mesma pergunta.” Perguntado se o momento atual permitiria a elaboração de uma nova Constituição, Mourão disse que existem opiniões divergentes sobre o assunto.

Segundo ele, alguns acreditam ser possível “paulatinamente” melhorar a Constituição por meio de emendas, enquanto outros desejam “voltar tudo à estaca zero” e elaborar um novo documento. Na tentativa de justificar a defesa de uma nova Constituição, Barros citou como exemplo, na segunda-feira, o Chile, que foi às urnas no domingo e definiu que uma nova Assembleia Constituinte deverá ser eleita no país. “Acho que devemos fazer um plebiscito, como fez o Chile, para que possamos refazer a Carta Magna e escrever muitas vezes nela a palavra deveres, porque a nossa Carta só tem direitos e é preciso que o cidadão tenha deveres com a Nação”, disse Barros, durante evento.

A declaração foi rechaçada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (Dem-RJ), e causou surpresa em auxiliares do presidente Jair Bolsonaro, que negaram que Barros estivesse falando pelo governo. Maia destacou na segunda-feira que a “situação do Chile é completamente diferente da do Brasil”. “Aqui, o marco final do nosso processo de redemocratização foi a aprovação da nossa Constituição em 1988. No Chile, deixaram esta ferida aberta até hoje”, afirmou.

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no email
Email

Associe-se hoje mesmo a quem defende e apoia você!