Inteligência artificial para antecipar crimes

ZERO HORA NOTÍCIAS P. 19

Antecipar a ação de criminosos e prever ocorrências violentas por meio da análise de dados é um dos projetos que estão sendo desenvolvidos no Centro de Inovação e Pesquisa da Brigada Militar, que passou a funcionar há três semanas no campus da PUCRS, na Capital. Um acordo de cooperação entre as duas instituições pretende acelerar a modernização de ações da BM com uso de tecnologia, pesquisa, algoritmos e processamento de informações para dar mais precisão ao trabalho policial.

Na prática, a BM quer usar inteligência artificial para combater o crime e busca ajuda da academia para trocar conhecimento. À frente do centro, o major Roberto dos Santos Donato explica que a parte das ocorrências mais violentas estão relacionadas a fatores comuns. Na Região Metropolitana, por exemplo, têm vinculação com tráfico de drogas, armas, organizações criminosas e a maioria dos homicídios se concentra onde há volume significativo de apreensão desses itens. Por isso, a probabilidade de um assassinato acontecer nesses territórios é maior.

O espaço da BM na PUCRS pretende desenvolver algoritmos capazes de fazer o processamento desses dados, cruzando ocorrências, históricos, indicando variáveis e prevendo cenários de ações criminosas.

– Há série de crimes que são diretamente correlatos a determinadas atividades, outros que acontecem num curto raio de escolas. Queremos estudar e entender a dinâmica deles e as variáveis que tragam resposta para melhor tomada de decisão – explica o major.

Parâmetros semelhantes podem ser aplicados para o enfrentamento ao roubo de veículo, identificando horários, regiões, qual modelo de carro favorito dos criminosos e detalhes da dinâmica das ações.

– Já fazemos isso manualmente, lendo ocorrência por ocorrência e colocando os dados no Excel. A ideia é a que a inteligência artificial permita que os software recebam os dados e me respondam, por exemplo, que o carro prata é o principal alvo quando está estacionado em frente a supermercado. Com essa resposta, trabalho com a prevenção – adianta o oficial.

Nesse processo, a academia vai trazer sua expertise para o tratamento de dados, ensinando à BM como desenvolver algoritmos onde as informações da corporação serão processadas. A BM já trabalha com estatística, banco de dados que produzem gráficos e mapas, mas espera que, por meio de software inteligentes, possa chegar a melhores soluções de policiamento.

– A universidade precisa estar além muros, não pode ser só encapsulada. Estamos tentando ser atentos ao que a sociedade espera de uma instituição como é a nossa. Precisamos reforçar atividades voltadas à eliminação da intolerância e da violência – avalia Solimar Amaro, relações institucionais da Reitoria da PUCRS.

Espaço

A equipe vai contar com cinco policiais fixos, mas poderá ter especialistas volantes em diferentes áreas. O espaço conta com auditório, sala multiuso e gabinetes e ocupa quase metade de um andar no prédio 5 da PUCRS. O centro é comandando pelo major Donato, doutorando em Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade na escola de Administração da UFRGS.

O major já comandou o Observatório de Segurança, na Secretaria da Segurança Pública, produzindo estatísticas, auxiliando pesquisas acadêmicas e sendo responsável pelas respostas da Lei de Acesso a Informação. O oficial também é o gestor da BM no RS Seguro – programa de combate à criminalidade do RS – que já trabalha com análise de informações para reduzir indicadores de violência.

Menos PMs em funções internas

Outra prioridade é a transformação digital do 9ª Batalhão de Polícia Militar da Capital e do Comando de Policiamento de Choque, responsável pelos seis Batalhões de Choque no RS. O projeto piloto pretende zerar o uso de papel nesses ambientes, automatizando processos e permitindo que softwares façam atividades internas, como controle de frota, de efetivo, de escalas, organização de operações e mapeamento de ocorrências. O objetivo é retirar policiais de serviços administrativos e colocá-los na rua.

– Já não utilizamos muito papel e temos muitos processos que são digitais, mas queremos tirar o policial da frente do computador. Temos um cálculo prévio que isso poderia liberar 300 policias em todo RS para policiamento – afirma o major.

A meta é entregar ao menos 80% dos dois setores digitalizados em 18 de novembro, aniversário da BM. O trabalho vai contar com apoio de cinco desenvolvedores de software, que são policiais militares, e integram o departamento de informática da BM.

Em paralelo a essas ações, o Centro de Inovação e Pesquisa da BM será formalmente apresentado à comunidade acadêmica por meio dos programas de pós-graduação da PUCRS, proporcionando o debate de possibilidades de pesquisa e discussão de problemas que necessitem de solução dentro da BM.

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