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MARTA SFREDO ZERO HORA P. 13: Venda da Braskem acentua mudança na indústria do RS

Com R$ 6 bilhões de prejuízo acumulado no semestre, a Braskem foi oficialmente colocada à venda por sua controladora, a Odebrecht. A gigante petroquímica é dona da maior parte do polo petroquímico gaúcho, em Triunfo, uma das maiores operações industriais do Estado. A nova tentativa foi anunciada na madrugada de sábado, em nota da empresa.

Fora da Braskem, só existem três empresas independentes, de menor porte, no complexo: Innova, Arlanxeo e Oxiteno. A gigante comanda a central de produtos básicos e quatro grandes unidades. Nascida no Brasil, tornou-se multinacional, com unidades de produção na Europa, no México e nos Estados Unidos. Também é dona de outras três centrais petroquímicas, na Bahia, no Rio e em São Paulo.

Em julho, o negócio voltou ao radar quando a Petrobras falou em revisar o acordo de acionistas, que regra a venda. A Petrobras é sócia relevante da Braskem, porque tem percentual muito semelhante de ações, embora as decisões sejam da Odebrecht. Outro gatilho foi a aprovação do pedido de recuperação judicial da Odebrecht, no final de julho. Para ser viável, depende da entrada de recursos.

A Odebrecht contratou o Morgan Stanley, que assessora grande negócios, para conduzir o processo. O mercado aposta em venda pulverizada, para investidores, não para um concorrente, como ocorreu na primeira tentativa, fracassada em junho de 2019. João Luiz Zuñeda, diretor da MaxiQuim, avalia assim o impacto do negócio, aliado à venda da Refap:

– Vai alterar o perfil da indústria química no Estado.

Conforme Zuñeda, a nova tentativa estava em preparativos. Em julho, foi fechado o contrato de nafta, principal insumo da Braskem, fornecida pela Petrobras.

– A Petrobras quer uma venda a mercado, e é inteligente. É difícil que uma grande empresa do setor queira comprar agora. Todas precisam de caixa e têm novos projetos para concluir. Só se fosse uma barbada, o que nenhum dos sócios quer. Com juro baixo e dólar valorizado no Brasil, o mais provável é uma venda em bolsa, para fazer uma corporation (sem controle definido), como a Renner, ou para um fundo de investimentos americano, chinês ou saudita. Apesar dos problemas, a Braskem é uma baita empresa – diz Zuñeda.

Diferente por fora e por dentro
As tecnologias para viagens rodoviárias mais seguras que a Marcopolo desenvolveu e colocou em produção em menos de três meses vão começar a rodar pelo Estado.

A Viação Ouro e Prata começa a operar nesta semana os modelos de ônibus Biosafe que está incorporando à frota. Esses veículos têm higienização do ar-condicionado e do sanitário por luz ultravioleta. Conforme a Ouro e Prata, é um tipo de desinfecção pemamente, ou seja, para toda a viagem.

A empresa também já usa a descontaminação por “névoa seca”, que dispersa substãncias esterilizantes dentro do ônibus sem molhar as superfícies.

Mas a novidade mais visível para os passageiros será a nova organização interna. Em vez das duas fileiras com um corredor no meio, serão três, com dois corredores. Assim, todos os assentos passam a ser ser individuais. Com essa configuração, a capacidade será reduzida de cerca de 45 para 33 poltronas.

A pulseira paga
Estreia hoje a pulseira de pagamento do Banrisul. Permite pagar por aproximação nas maquininhas com a tecnologia indicada pelo ícone de quatro ondas. Chamada BanriFast, é feita de silicone, à prova d´água, e traz um chip instalado.

Segundo o Banrisul, terá os mesmos padrões de segurança dos cartões de crédito com chip. Para compras de até R$ 50, não exige senha.

Por enquanto, só a bandeira Banrisul Mastercard permite o uso da tecnologia. Em breve, deve se estender para o Visa.

O valor de lançamento é de R$ 25, desconto de 50% em relação ao preço normal. Para solicitar, o cliente deve acessar o ícone Meus Cartões no aplicativo Banrisul Digital.

“Existe alto risco de cometer excessos”

Voz respeitada no debate econômico nacional, Zeina Latif atua como consultora, atividade que a transforma em interlocutora de grande variedade de setores da economia. Na discussão sobre o inesperado apetite do governo federal por aumentar gastos com assistência social, com foco na reeleição em 2022, adverte que, se não há risco de que Bolsonaro use as mesmas ferramentas de Dilma Rousseff, as consequências de equívocos podem ser até piores, porque não há nada comparável à reforma da Previdência para acertar as contas públicas.

Abril foi o fundo do poço?

Sim, os dados são muito claros. Quanto antes bater no fundo, melhor, mas o que mais importa é com que velocidade avançamos.

A recuperação pode ser rápida, em V, como diz o governo?

Aí sou um pouco mais cética. Será lenta. Sempre pode haver histórias de recuperação rápida, mas a economia é muito heterogênea. É normal que os primeiros dados, com o relaxamento do isolamento, sejam melhores. Mas manter esse ritmo e voltar ao pré-crise no curtíssimo prazo é pouco provável.

Há uma percepção artificial da retomada da economia?

Sim, por causa do auxílio emergencial e das medidas de flexibilização do trabalho. Isso ajudou a preservar empregos, mas tem data para acabar. O governo vai tentar dar uma esticada, até porque Bolsonaro está enxergando impacto dessas políticas na sua popularidade. A questão é se, até acabar, a economia ganhou uma engrenagem tal que a descontinuidade não gere perturbação. Mas se o auxílio for prolongado, é importante que reduza tanto o público alcançado quanto o valor distribuído.

O governo terá de escolher entre ajuda e equilíbrio fiscal?

Não tenho dúvida de que é preciso se preocupar com a questão fiscal. O impacto de equívocos cometidos agora vai se estender demais. Talvez as consequências não fiquem claras tão rapidamente quanto em 2014. Se o presidente mira a reeleição em 2022, existe alto risco de cometer excessos agora. Como a inflação está muito baixa, ele pode pensar: ?vou arriscar?. Foi o cálculo que a Dilma fez, por convicção ou oportunismo político. Pisou no acelerador, não ouviu alerta sobre inconsistências, já havia discussão sobre pedaladas em 2014, no TCU. Ela pensou que a bomba ia estourar, mas seria eleita. Não conseguiu consertar, e o resto já sabemos.

Há risco semelhante ao do governo Dilma?

Não faria hoje o que a Dilma fez, até porque há mais instâncias de controle. Mas um dos problemas é que estamos em patamar pior do que o de 2014. A dívida é muito mais alta. E se lá atrás havia a perspectiva da reforma da Previdência hoje não há nada comparável. Não há medida em discussão com a mesma potência fiscal.

Em termos de gastos, o que é responsabilidade diante da tragédia e o que é aposta eleitoral?

Até definir o que é responsabilidade do governo, neste momento, é difícil. Culpar o governo pela crise econômica é como culpar a companhia aérea pelo atraso no voo causado pela chuva. Por mais que o governo tenha falhado na gestão da saúde, a crise na economia era inevitável. Sem distanciamento social, as pessoas não sairiam de casa por medo. É o que as pesquisas mostram. Sem restrição, explodiriam os óbitos, o número de pessoas hospitalizadas, a rede pública não daria conta, era capaz de ter crise social, saques. Então, mesmo que o governo tenha responsabilidade, não se justifica salvar tudo e todos.

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