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Mensagem do Cel Marco Antonio Mourão de Souza, sobre o episódio no programa Timeline, da Radio Gaúcha, em 02 Dez:

Quem é responsável, ou quem é irresponsável.

Nos últimos dias, assistimos o assalto a banco na cidade de Criciúma em Santa Catarina. Não atônitos, como deveríamos e poderíamos estar, mas impressionados, pois sabemos que fatos dessa natureza ocorreram, acontecem e voltarão a se repetir, com maior ou menor frequência que não gostaríamos que houvesse.

Pelo menos para algumas pessoas de nossa sociedade. Entretanto, como repercussão do triste episódio, já acompanhamos distintas ações de órgãos governamentais, em especial da área da segurança pública; várias manifestações de estudiosos, de analistas, de pessoas da sociedade; em redes sociais, em órgãos de comunicação social, na imprensa em geral; em reuniões de pessoas aglomeradas (sem deverem estar)…Todas, avaliando e trazendo contribuições para que pudéssemos entender como ocorreu o fato, por que ocorreu aquela situação, passível de uma reprodução em filme, série, livros, ou quem sabe, passível reprodução desses mesmos.

A minha primeira avaliação, entretanto, é tentar entender, assim como para muitas outras pessoas, como chegamos a este patamar de compreensão de que podemos agir, com tamanha perspectiva de impunidade, com a mínima preocupação com o outro, com a vida dos outros, com o patrimônio dos outros, com total rompimento do contrato social, contra a lei e a ordem, afrontando a paz e a civilidade. Em estudos de caso, perguntaríamos quem foi o responsável? O Estado, o Banco, as Instituições Policiais, a sociedade, os assaltantes, ……Quem? Ficaremos andando em círculos procurando dar as mais variadas explicações a respeito do fato. Registra-se que alguns até trazem e consideram “filosoficamente” as atitudes, consideram uma postura de “Robin Hood” dos ladrões, parecendo que estamos dentro de uma comédia humana. Irei partir minha reflexão deste ponto. Pois ontem recebi e li várias postagens a respeito de um programa de rádio, da rádio Gaúcha, o Programa intitulado TIMELINE, referenciado como de alta audiência, inclusive internacional.

Registro que não assisti no momento, apenas fui ouvir parte do programa na madrugada, após ler as mensagens sobre o tema.

No referido programa teria ocorrido uma dessas tantas análises, de dois jornalistas Kelly Matos e David Coimbra, os quais apresentaram suas percepções, narrativas e concepções sobre os atos, os fatos e as consequências do ocorrido, no alto de suas qualificações acadêmicas e de experiências de vidas.

Cada pessoa possui uma possibilidade de considerar as razões, os motivos e os “culpados”, bem como quais serão seus impactos na vida da sociedade como um todo.

Faz parte do primado da liberdade de pensarmos e expressarmos.

Entretanto há posições que irão chegar até nós, com maior força, maior intensidade, pois possuem mais solidez, qualidade de informações, uma imagem, um argumento de autoridade, um suporte institucional, uma capacidade tecnológica, uma “força do microfone”, uma “força da pena” da imprensa, da comunicação.

Desta forma, profissionais de quaisquer redes de comunicação, que detém muitas dessas capacidades, são fontes da informação, são formadores de opinião, representam vozes, produzem e induzem outras vozes a serem escutadas, geram “verdades”.

Mas neste contexto, não posso dar eco a posição dos referidos jornalistas, que são grandes condutores de pensamentos e mensagens, que avaliaram uma situação de grande risco à convivência social, pois foram fatos relevantes que geraram inclusive riscos de vida (ou de morte) concretos e potenciais de muitas pessoas. Claro, para eles houve apenas um policial militar e um vigia feridos, ou mesmo mortos, ou seja, nada e ninguém para eles, mais especificamente para o David Coimbra.

Voltando ao estudo de caso, quem é o responsável por todo o ocorrido? Pode-se pensar em vários responsáveis. Assim como neste momento eu posso pensar que são aqueles que glorificam, que enaltecem, que registram de forma simplesmente indevida, considerando fatos de forma simplista, leviana, superficial, dentro de uma visão apenas midiática. Com palavras e análises quiçá “acadêmicas”, mas como se fosse apenas um fato para brincarmos com ele, com palavras bonitas e jogadas facilmente nas “ondas do rádio”.

Reforça-se que fatos desta natureza, quando acontecem demonstram que existe uma “completa ruptura do tecido social, pois àquelas pessoas que estão cometendo estes crimes, estão ali para o tudo ou nada”.

Talvez até possa ser considerada uma “apologia ao crime” e ao fazermos isto, para qualquer que seja o crime é uma irresponsabilidade, que em tese pode afrontar a lei, mas com certeza atinge a moral. Em meu entender, uma irresponsabilidade pessoal e profissional, frente a uma humanidade que exige posturas críticas, realmente, mas críticas sérias, não vinculadas a interesses não declarados, ou até mesmo expressados com total descompromisso à uma vida de paz social que todos devemos almejar.

Portanto, quem são os responsáveis, e quem são os irresponsáveis?

Porto Alegre, 4 de dezembro de 2020
Marco Antônio Moura dos Santos

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