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Roubos e furtos a bancos caem 43,6% em 2019 no RS

O título acima é de uma matéria publicada pelo site G1[1], no dia 08 de janeiro de 2020, que tem como autor o profissional de impressa Léo Saballa Jr, da RBS TV.

Na matéria são apresentados dados estatísticos de roubos e furtos a bancos do ano de 2019 em comparação ao ano de 2018. Em 2018 registraram-se 179 casos, enquanto em 2019, 101 casos, num total de 280 ocorrências de roubos e furtos a bancos no biênio.

As ocorrências com emprego de cordão humano foram de 16, em 2018, para 11, em 2019. Ou seja, no biênio em estudo, em 27 ocorrências de roubo a banco os criminosos fizeram reféns e formaram cordões humanos com pessoas da comunidade.

O nobre jornalista encerra sua matéria informando os trabalhos desenvolvidos pela Brigada Militar e Polícia Civil, cumprindo assim a sua função de informar. Meus parabéns!

Mas voltando aos dados estatísticos apresentados na matéria, limitados às situações de emprego de cordão humano, teremos 27 fatos. Daí os questionamentos: em quais cidades? Quantas pessoas foram humilhadas, tiveram que expor seus corpos? Quantas pessoas tiveram armas apontadas para suas cabeças? Quantas pessoas sofreram ameaças? Será que alguma delas não dorme direito, ou somente consegue pelo uso de medicação? Quantas foram levadas como refém na fuga, e passaram momentos de terror ao não saber se haveria confronto com a polícia?

Pois bem, se você reside em alguma das comunidades atacadas no Estado do Rio Grande do Sul, ou passou pelo pavor de estar sob a ameaça temporária de criminosos, fique tranquilo, pois as falas de David Coimbra e os risos de Kelly Matos, no programa Timeline, no dia 02 de dezembro de 2020, também são para você: quem rouba de banco e o faz por ideologia, respeita cidadão.

Ao se ouvir tamanha leviandade e tentativa de trato romântico do episódio criminoso ocorrido na cidade de Criciúma, questiona-se os propósitos dos trabalhos desenvolvidos pelas Polícias Civil e Militar, referenciados na matéria por profissional do mesmo grupo jornalístico.

A fala do apresentador do programa Timeline reflete uma total contradição com o que se observa no comportamento da imprensa em geral, pois quando fatos desta natureza ocorrem, se as polícias não alcançam o resultado prisão, a matéria encerra: “até o momento, ninguém foi preso”. Mas, por que prender alguém que não praticou mal algum?

O que David Coimbra não sabe é que o trabalho voltado a evitar os crimes contra estabelecimentos financeiros tem por propósito manter a situação de tranquilidade nas comunidades que possam ser atingidas. Mas, se depender da profunda filosofia do apresentador, este cenário deve se agravar, afinal de contas “deixem de atacar as pessoas e ataquem os bancos!

Os comentários foram de uma superficialidade tamanha que, comparando o evento à fantasia da televisão, onde quem morre, surge na próxima série, somente referiu que duas pessoas teriam sido alvejadas pelos criminosos, para quase culpá-las pela sua condição. Será que David Coimbra tem conhecimento pleno da dinâmica do que ocorreu, ou mesmo de qual foi o comportamento do policial militar e do vigilante para proferir tal comentário? Ou se limitou aos vídeos e comentários que circularam pelas redes sociais? De jornalismo sustentado em meras opiniões, estamos de saco cheio.

Oportuno lembra que David Coimbra é o mesmo que, ao participar de uma entrevista sobre a flexibilização de arma de fogo no Brasil, cujo entrevistado foi o especialista no tema Bené Barbosa, passou uma vergonha por tentar contrapor, de forma superficial, argumentos estudados referidos pelo entrevistado.

Agora, suas crenças (para falar o que falou ele precisa acreditar nisso) são tão justas que recebemos a notícia de que vários patrocinadores do programa Timeline estão a encerrar seus contratos de patrocínio. Injustiça estão a fazer com o programa, pois como não coadunar com o pensamento de que os indivíduos não fizeram mal algum à sociedade, apenas roubaram um banco.

Além do despreparo no trato do fato, demonstrou desconhecimento sobre um de seus patrocinadores – UNICRED. A UNICRED é uma instituição financeira cooperativa. Estaria David Coimbra estimulando o ataque a um dos seus patrocinadores? Por certo que não, mas demonstra o quão leviano e irresponsável foi em sua abordagem.

Pelo jeito, além de desconhecer seu negócio, o apresentador desconhece as relações sistêmicas da sociedade, sobre a qual, diariamente, promove suas falas e críticas. O crime sempre tem impactos econômicos, exemplo disso, são as alterações nos valores de seguros por conta dos furtos e roubos de veículos. Muitos outros exemplos poderiam ser citados. Ou seja, a conta sempre vem, mesmo para quem não estava no local do crime.

Ademais, do dinheiro roubado, quanto será empregado na aquisição de mais armamento, drogas e outros produtos de origem ilícita visando aumentar a o poder financeiro, bélico e político da organização criminosa? De outro lado, quais são os custos decorrentes do emprego de centenas, se não, milhares de Policiais Militares, Civis, Rodoviários Federais que estão a identificar e prender os participantes do crime?

Por sinal, cabe aqui enaltecer o trabalho que vem sendo desenvolvido pelas forças policiais estaduais e federais do Estado de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e outros Estados que, incansavelmente, seguem à caça dos criminosos. E que as pessoas feridas em Santa Catarina, seja policial militar, vigilante ou qualquer outro, reestabeleçam sua saúde o mais rápido possível.

E que, assim como se exige ética e responsabilidade dos profissionais da segurança pública, possamos enxergar esses valores nos profissionais de imprensa de nosso país!


[1] https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2020/01/08/roubos-e-furtos-a-bancos-caem-436percent-em-2019-no-rs.ghtml, acesso em 04 de dezembro de 2020.

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