Todos os anos, devido a Campanha do Setembro Amarelo, se fala na gravidade das doenças mentais e na prevenção ao suicídio. Mas, o assunto deve ser discutido, durante o ano, na medida que os índices permanecem altos. A Organização Mundial da Saúde vem propagando a necessidade de falar sobre o assunto e isso evitaria que muitas vidas fossem perdidas. Infelizmente, nas Instituições Militares, o tema ainda é reservado, o que dificulta a apuração de dados e os resultados dos programas desenvolvidos. Os policiais, ainda, são os que mais tiram a própria vida, no mundo.

No Rio Grande do Sul, os Policiais Militares viveram um pesadelo.Tiveram seus salários atrasados por mais de 50 meses. Além, da sobrecarga de um efetivo reduzido para garantir a Segurança Pública, em 497 municípios, acrescentando a atividade laboral, diária, de estresse agudo. E governos negando o ingresso na Brigada, com o Curso Superior, o que vai na contramão da evolução.

Um estudo retrospectivo de 11 anos, realizado de 2006 a 2016, pela Brigada Militar e mais duas Universidades do Estado, apontou mais fatores de risco, entre eles; transtornos mentais, tentativas de suicídio anteriores, isolamento social, conflito familiar e outras doenças. Segundo o artigo, a incidência de suicídio entre policiais militares no Sul do Brasil foi alta, em comparação com a taxa nacional. “Idade mais jovem e baixo nível hierárquico foram características independentes de suicídio”, aponta a pesquisa.

O que chamou atenção, nesse trabalho, e pode ser tema de discussão foram os “resultados que sugerem que policiais militares do Sul do Brasil apresentam alto risco de suicídio, especialmente, entre as mulheres (taxa média anual de 18,8/100.000 em mulheres e 11,9/100.000 em homens)”.

O texto indica que a pesquisa é inédita ao descrever a incidência e o perfil nessa subpopulação e que os resultados oferecem a oportunidade de alertar sobre a vulnerabilidade dessa profissão no Brasil, indicando a necessidade de programas específicos de prevenção. Aguardamos a eficácia dos programas desenvolvidos e que o índice seja reduzido, no Estado e no mundo.

Cel Marcos Paulo Beck

Presidente da Asofbm